Decisão · · 10 min de leitura
Como conseguir indicação de outros médicos sem tráfego pago: 30 colegas divulgaram a Dra. Juliana Fialho
Sem anúncio, a Dra. Juliana Fialho lançou a nutrologia infantil com um press kit para colegas: 30 stories espontâneos e, um ano depois, clínica própria.

Resposta rápida: para conseguir indicação de outros médicos, o caminho mais curto passa pelos colegas que já atendem o paciente antes de você. Foi o que a Gota fez no lançamento da Dra. Juliana Fialho, pediatra neonatologista que conciliava os plantões no hospital com a abertura da agenda de nutrologia infantil. O público era estreito demais para tráfego pago, então montamos com ela uma lista de colegas de outras especialidades que atendem crianças e de empresas do universo infantil, e cada um recebeu um press kit com carta personalizada e um cartão dizendo quando encaminhar. O kit virou 30 publicações espontâneas nos stories, coordenadas com uma série de três vídeos de lançamento. Um ano depois, ela abriu o próprio espaço, o Instituto Nutrir.

O ponto de partida
A Dra. Juliana Fialho (CRM 52101659-8, RQE 26753 e RQE 37734) sempre quis ser pediatra. Fez residência em pediatria, se tornou neonatologista e passou anos em UTI, onde viu de perto o quanto o manejo nutricional muda a evolução de prematuros e de crianças internadas. A virada veio em casa, na introdução alimentar das duas filhas. Mesmo sendo médica, ela se viu insegura diante do prato das meninas, e foi atrás de formação. Foram duas pós-graduações e um curso de especialização, em instituições como a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), o HCor e a Nutrology Academy.
Quando chegou à Gota, em junho de 2025, ela ainda trabalhava no hospital. O plano era abrir agenda de nutrologia infantil em duas manhãs por semana, numa clínica de terceiros em Campos dos Goytacazes, e o objetivo de longo prazo, anotado no briefing, era ter um dia a própria clínica com equipe multidisciplinar. A dúvida dela era a mesma de quem lança uma especialidade que a cidade mal conhece: como os pais vão chegar até uma consulta que nem sabem que existe?
1. Entender o momento antes de escolher o canal
Entrega da Gota: briefing, posicionamento de marca e planejamento estratégico.
O trabalho começou com duas conversas de briefing, em 26 de junho e 3 de julho de 2025. Delas saíram o público principal (pais de bebês começando a introdução alimentar), os públicos secundários (gestantes, lactantes, casais planejando filhos e crianças com cardiopatia, TDAH ou obesidade), o jeito de atender (consulta de uma hora, plano feito durante a consulta e cronograma de retornos) e o tom da marca, afetivo e seguro ao mesmo tempo. A frase que guiou o posicionamento foi "nutrição com propósito, cuidado com afeto". Hoje a assinatura da marca é "Ciência com carinho de mãe".
O planejamento previa muitos canais, de outdoor a revista e anúncio. Na hora de decidir onde colocar o esforço do lançamento, a conta mudou.
2. Desistir do anúncio quando o público é estreito demais
Entrega da Gota: decisão de canal e estratégia de relacionamento.
Muita gente quer começar pelo tráfego pago a qualquer custo. Aqui o objetivo foi o contrário. Nutrologia infantil ainda é pouco conhecida, e a família que precisa dela costuma descobrir isso pela boca de alguém que já atende a criança. Um anúncio teria de explicar a especialidade, convencer os pais de que o filho precisa dela e vender a consulta, tudo para um grupo pequeno de famílias numa cidade do tamanho de Campos. O custo por paciente ficaria alto e o resultado, imprevisível.
Quem reconhece primeiro a criança que não ganha peso, que come só três alimentos ou que tem uma cardiopatia e precisa de dieta ajustada é o colega. A cardiologista pediátrica, a pediatra da UTI neonatal, a escola que acompanha a rotina da criança. Por isso o lançamento foi desenhado para eles. Quando o tráfego pago faz sentido, explicamos no guia de Meta Ads para médicos.
3. Mapear quem já atende a criança antes de você
Entrega da Gota: lista de indicadores, montada com a Dra. Juliana.
A lista partiu da rede que ela já tinha e que conhecia o trabalho dela de verdade, gente com quem dividiu residência, plantão e UTI. Entraram colegas de outras especialidades que trabalham com crianças e seriam potenciais indicadores de novos pacientes, e também empresas do universo infantil, como o Mundo da Lua, escola de música para crianças em Campos.
O critério era simples. Cada nome precisava ver crianças que, em algum momento, poderiam precisar de acompanhamento nutricional, e precisava ter a confiança dos pais delas. Esse é o mesmo raciocínio que usamos para pediatras em geral, como contamos em marketing para pediatras.
4. Dizer ao colega exatamente quando encaminhar
Entrega da Gota: cartão "Quando encaminhar".
A dúvida sobre encaminhar aparece no meio do atendimento, com a criança na sala, e o colega precisa resolvê-la em segundos. Por isso o kit levou um cartão com as situações em que vale mandar a criança para a nutrologia infantil, de introdução alimentar e seletividade a baixo ganho de peso, obesidade, TDAH e TEA, prematuros desde a alta hospitalar, crianças com cardiopatia, dieta cetogênica prescrita pelo neuropediatra, transtornos alimentares, alergias, diabetes, atletas, vegetarianos e veganos, além de gestantes, lactantes e casais planejando a gestação.

Esse cartão também ensina o que a especialidade faz. Muito pediatra e muito cardiologista sabem que a nutrologia existe e não sabem até onde ela vai. A lista mostra isso em trinta segundos de leitura.
5. Fazer o presente explicar o que a médica defende
Entrega da Gota: identidade visual e press kit de lançamento.
O kit chegou numa bolsa térmica branca com o selo da marca, a mesma folha e coração que estão no logo. Dentro, uma garrafa de água personalizada, maçã, uva, o cartão de visita e uma carta assinada por ela, com o nome de cada destinatário escrito à mão no topo. Nada ali estava por enfeite. A carta fecha explicando que o mimo apresenta o que ela acredita e orienta às famílias, muita água, comida que vem da natureza e organização para preparar a refeição em casa.

O texto da carta conta a trajetória dela, da pediatria e da UTI até a nutrologia, e deixa claro que a prática segue ciência e ética. Também tem um pedido direto aos colegas, com uma frase que resume a estratégia inteira: "uma andorinha só não faz verão". Ela conta com eles, e diz isso com todas as letras.
6. Contar a virada da médica em capítulos, da casa ao consultório
Entrega da Gota: roteiro, produção e edição da série de lançamento.
Enquanto os kits saíam, o Instagram contava a história em três vídeos, publicados em 19, 20 e 21 de agosto de 2025. A narrativa foi criada pela Gota e acompanha a vida real da Dra. Juliana. O primeiro capítulo foi gravado na casa dela, para apresentá-la como mãe, no lugar onde a pergunta sobre a alimentação das filhas surgiu. Os dois seguintes já acontecem no consultório, quando a médica entra em cena. As fotos são de Fernando Cerqueira, fotógrafo da Gota, e os vídeos têm gravação e edição de Thiago Silva, videomaker da Gota.
O primeiro vídeo começa com a frase que ela ouvia em quase toda consulta, "doutora, meu filho tá comendo bem?", e conta como a introdução alimentar das filhas trouxe perguntas que a teoria não respondia. Termina avisando que, em breve, o seguidor vai saber como esse cuidado pode chegar à casa dele.
O segundo mostra a descoberta virando método. Ela explica que cada consulta começa pela investigação de exames, curvas de crescimento e sinais do corpo, que o plano respeita o tempo da criança e o contexto da família, e que, quando preciso, soma nutricionista, psicólogo e outros profissionais.
O terceiro fala direto com a mãe que chega cansada, com culpa e com receitas que não funcionaram, e apresenta o modelo de atendimento sem pressa e sem fórmula pronta. O vídeo fecha com a frase que virou síntese da marca, "mais do que cuidar da alimentação, eu cuido de quem cuida".

7. Fazer o kit chegar no mesmo dia em que a história começa
Entrega da Gota: calendário de lançamento.
O primeiro vídeo e as primeiras publicações dos colegas saíram no mesmo dia, 19 de agosto de 2025. Quem via o story de uma cardiologista pediátrica marcando a Dra. Juliana podia tocar no perfil e encontrar o vídeo que explicava quem ela era e por que tinha ido para a nutrologia. O colega dava a recomendação, e o vídeo respondia a pergunta seguinte do pai ou da mãe.
O resultado
O press kit gerou 30 publicações espontâneas nos stories, todas marcando o perfil da Dra. Juliana Fialho. Nenhuma delas foi paga, e cada colega escreveu com as próprias palavras. A cardiologista pediátrica que recebeu o kit chamou a Dra. Juliana de excelente nutróloga infantil e escreveu que ela podia contar com ela para o que precisasse. Uma amiga de residência destacou a excelente profissional que ela é, a antiga chefe desejou sucesso, e a escola de música mostrou a carta inteira no story.
Para uma área que muita família de Campos ainda não conhecia, o efeito foi direto. Profissionais que atendem crianças passaram a saber, no mesmo mês, o que a nutrologia infantil faz e para quem encaminhar. E cada pai que viu um desses stories recebeu a indicação de alguém em quem já confiava.
Um ano depois, o objetivo de longo prazo do briefing virou endereço. Em maio de 2026, a Dra. Juliana começou a mostrar o diário de obras do espaço novo.
Em agosto de 2026, ela apresentou o Instituto Nutrir, na Rua Doutor Siqueira, em Campos dos Goytacazes, com pediatria, nutrologia infantil, nutrição, psicologia e educação física trabalhando juntas no cuidado de crianças e adolescentes. É a mesma clínica multidisciplinar que estava anotada como sonho no briefing de junho de 2025.
O que perguntar antes de lançar uma especialidade nova
Meu público é grande o bastante para anúncio? Se a especialidade depende de encaminhamento e o paciente ainda não sabe procurá-la, o primeiro público é o colega. O anúncio entra depois, quando já existe procura própria.
Quem vê meu paciente antes de mim? Faça a lista com nomes reais, de outras especialidades e de fora da medicina, como escolas, academias e espaços infantis. Priorize quem já conhece seu trabalho.
O colega sabe quando me encaminhar? Se a resposta depende de ele lembrar de uma conversa, escreva um cartão com as situações de encaminhamento.
O presente conta o que eu defendo? Brinde genérico vai para a gaveta. Quando o kit repete o que a médica orienta no consultório, ele vira assunto e vira story.
Presente para colegas também precisa respeitar as regras de publicidade médica. A Gota trata a Resolução CFM 2.336/2023 como base de qualquer plano, e no caso da Dra. Juliana o kit apresentou a especialidade sem promessa de resultado, sem preço e sem sorteio (veja o que a publicidade médica permite).
Como aplicar essa estratégia na sua carreira
O lançamento da Dra. Juliana Fialho funcionou porque cada peça tinha um destino certo. O press kit foi para quem encaminha, o cartão resolvia a dúvida do colega na hora da consulta, e os vídeos respondiam o pai que chegava pelo story. Outros médicos de Campos fizeram transições parecidas com a Gota, por caminhos diferentes. A Dra. Juliana Corrêa construiu o nome antes de abrir o espaço próprio, e a Dra. Thaisa Bastos saiu da clínica de terceiros com 12 estratégias documentadas.
Se você vai lançar uma especialidade, uma área de atuação nova ou um consultório e não sabe se começa pelo anúncio ou pelos colegas, agende uma reunião de diagnóstico com a Gota. Na conversa a gente mapeia quem já vê seus futuros pacientes e qual canal faz sentido para o tamanho do seu público. Quem ainda está comparando agências pode ler antes o que muda ao escolher uma agência sediada em Campos dos Goytacazes.
Respostas rápidas.
Porque o público era estreito demais para anúncio. A nutrologia infantil ainda é pouco conhecida, e a maioria dos pais só descobre que ela existe quando alguém de confiança indica. Um anúncio teria que explicar a especialidade e vender a consulta ao mesmo tempo, para um grupo pequeno de famílias. Os colegas que já atendem essas crianças (cardiologista pediátrica, pediatras de UTI neonatal, escolas e espaços infantis) sabem reconhecer quando uma criança precisa de acompanhamento nutricional e têm a confiança dos pais. Por isso o lançamento foi direcionado a eles.
Uma bolsa térmica branca com o selo da marca, uma garrafa de água personalizada, frutas (maçã e uva), o cartão de visita, uma carta assinada por ela com o nome de cada destinatário escrito à mão e um cartão com a lista de situações em que vale encaminhar uma criança para a nutrologia infantil. O conteúdo do kit repetia o que ela orienta às famílias: beber água, comer o que vem da natureza e se organizar para preparar a comida em casa.
Colegas de outras especialidades que trabalham com crianças e poderiam indicar pacientes novos, como cardiologia pediátrica e pediatras com quem ela trabalhou na residência e na UTI neonatal, além de empresas do universo infantil, como uma escola de música. A lista foi montada junto com a Dra. Juliana a partir da rede que ela já tinha.
Os colegas publicaram o press kit 30 vezes nos stories, todas de forma espontânea e marcando o perfil da Dra. Juliana Fialho, a partir de 19 de agosto de 2025. Em vários casos, quem postou chamou a médica de excelente nutróloga infantil e se colocou à disposição para encaminhar. Um ano depois, em agosto de 2026, ela apresentou o Instituto Nutrir, espaço próprio com equipe multidisciplinar em Campos dos Goytacazes.
Funciona melhor em especialidades que dependem de encaminhamento e que o paciente ainda não sabe procurar sozinho, como nutrologia, alergia, gastropediatria, neuropediatria, medicina do sono ou dor. Nesses casos, o primeiro público do lançamento é o colega que vê o paciente antes. Tráfego pago passa a fazer sentido depois, quando a especialidade já tem procura própria na cidade.
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